Holocausto Cannibal (1980), Ruggero Deodato

“It’s the closes thing you’re going to get to watching a snuff film, other than actually watching a snuff film if they actually exist.” Rob Zombie

Titulo: Cannibal Holocaust

Realizador: Ruggero Deodato

Local/Ano: EUA, Colômbia (1980)

IMDB/RottenTomatoes: 6.0 / 65%

Sangue, cabeças a rolar, churrascos de carne humana,  e não só tornam o Holocausto Canibal (1980), a visão mais realista que podemos ter do inferno. O plot começa com a descoberta das gravação de um grupo de repórteres desaparecido na misteriosa terra chamada de Inferno Verde, na floresta amazónica, e habitada por duas tribos canibais inimigas. Quando recuperadas, as gravações mostram os métodos de exploração e violação dos repórteres contra as tribos, a fim de conseguirem uma boa história.

Segundo Ruggero Deodato, o realizador, a ideia para o filme surgiu quando via notícias na TV com o filho. A utilização de notícias e cenários de violência, apresentados e abordados de forma explícita por parte dos media, pareceu-lhe um bom tema para um filme. A sua aspiração não era criar um filme de terror (que de tão bom se tornaria de culto). Ele queria antes algo mais instrutivo. Tornou a sua longametragem numa crítica à forma como a própria cobertura jornalística ou documental pode só por si ser mais brutal e violenta, preocupando-se mais com  Tornou a sua longametragem numa crítica a práticas documentais que fazem da violência um produto para audiências ansiosas de o consumir. No fim de contas o lucro conta mais que qualquer desejo de mostrar o diferente sem o tornar uma aberração.

A mensagem é explicita mas talvez até demais, e aquilo que ele pretendia criticar acabou por ser um dos seus erros. A participação de indigenas  Primeiro, Deodato quis aplicar técnicas de gravação e edição de texto que tornam um filme de ficção ultra-realista. Conseguir um filme ultra-realista passou pela aplicação pioneira de técnicas de foundfootage, que se caracterizam pela fraca qualidade de gravação de um vídeo (estilo filme caseiro) encontrado no filme e apresentado como documentário real, quando na verdade ficcional.

Deodato terá mesmo sido obrigado a explicar em tribunal como foi feito empalamento da indigena. Segundo ele ela sentou-se num banco de bicicleta num pau e colocou na boca a continuação do mesmo pau. O truque para parecer tão real: ficar estranhamente quieta.

Para terem a noção do quão bem concretizada foi a ambição de Ruggero, ficou na memória a sua defesa em tribunal da acusação de homicídio. Nem tudo pode ser verdade nesta lembraça, embora o próprio Deodato tenha dito em entrevista que teve que chamar um dos actores principais para comprovar que ninguém tinha sido morto nas rodagens. Seja ou não facto verídico, a realidade é que o tribunal italiano acusou de morte de animais para finalidade de entretenimento, o que constitui crime.

Até hoje qualquer comentário sobre o filme em sites, revistas ou foruns, termina com muitos a desprezarem o filme pelas filmagens de animais a serem mortos na vida real. Tanto que afeta mais saber que aquilo que vemos é real stuff do que a imagem em si (a que mais choca é sem dúvida a mutilação e morte de uma tartaruga).

Apesar da boa intenção em criticar documentários e reportagens que exploram unicamente o conteúdo violento do que noticiam, alguns afirmam que Deodato acabou por fazer o mesmo. A sua mensagem acaba por se perder ao invocar imagens tão explicitas. A participação de indígenas e as cenas em que estão envolvidos de uma maneira ou de outra acabam como também elas uma representação (ou visão) das tribos. E essa revisão foca-se (quase) exclusivamente em rituais de sacrificio humano (canibal ou não) e na guerra entre tribos.

Independentemente de toda a controvérsia o Holocausto Cannibal continua a ser, para muitos um dos melhores filmes de terror, mesmo que Deodato não o considere de terror… Conseguiu ser realista o suficiente par muitos acharem estar a ver um snuff filme, com uma técnica que muitas filmes (principalmente de terror) acabaram por adoptar. Principalmente porque a crença é um campo fértil para o medo.

http://www.gq.com/story/scariest-horror-movies-ever

https://en.wikipedia.org/wiki/Cannibal_Holocaust

http://www.starburstmagazine.com/features/interviews/268-ruggero-deodato-cannibal-holocaust-interview

 

 

 

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